Compartilhe

Pare de perguntar 'Isso é da marca?' - Está matando sua criatividade

Para uma frase que parece inofensiva, “Isso é da marca?” pode ser o assassino de criatividade mais silencioso do design moderno. É o equivalente a um cobertor molhado na sala de reuniões – uma forma de sufocar a experimentação, neutralizar o risco e garantir que tudo tenha a mesma aparência, sensação e som exatamente como todo o resto.

Construímos uma cultura de design obcecada pela consistência — e perdemos algo vital ao longo do caminho. Autenticidade. Surpresa. Jogar.

Quando tudo está na marca, nada parece vivo.

O mito da consistência da marca

O moderno sistema de marcas começou como uma forma de administrar o caos. Nos primórdios do design corporativo — pense na IBM de Paul Rand ou no metrô de Nova York de Massimo Vignelli — a consistência era uma revelação. Uma única linguagem visual poderia unir milhares de pontos de contato, desde sinalização até embalagem.

Mas a consistência, outrora revolucionária, calcificou-se em dogma. O que começou como uma ferramenta para unificar tornou-se uma ferramenta para controlar.

Os manuais de marca atuais não são apenas guias – são códigos legais. Os designers passam mais tempo policiando as diretrizes da marca do que quebrando-as. O resultado? Uma geração de trabalho limpo, coerente e totalmente previsível.

A ascensão da cultura da “polícia da marca”

Existe um tipo específico de reunião que todo designer conhece muito bem. Alguém – geralmente do marketing – olha para a tela e diz: “É bom, mas… está na marca?”

A frase geralmente é pronunciada com preocupação, como se você tivesse pego você cometendo uma ofensa moral. O que eles querem dizer, é claro, é isso não parece ser a última coisa que fizemos.

Mas esse é exatamente o problema.

Quanto mais uma marca fica obcecada pela mesmice, menos oxigênio ela deixa para crescimento. Marcas reais evoluem. Eles desenvolvem arestas, contradições e cicatrizes. Mas dentro de muitas empresas modernas, qualquer sinal de evolução é tratado como inconsistência.

Confundimos repetição com identidade.

Quando as marcas se tornam burocracias

Os sistemas de design e as diretrizes da marca deveriam facilitar a criatividade – um kit de ferramentas compartilhado para acelerar a tomada de decisões. Mas em grande escala, tornaram-se burocracias de gosto.

Você não precisa mais de permissão para projetar algo – você precisa de permissão para desviar.

Em vez de perguntar, Essa ideia parece certa para nós? as equipes perguntam, Isso se encaixa no modelo? O trabalho muda da exploração para a conformidade.

Nesse ambiente, os designers mais bem-sucedidos não são os mais imaginativos – eles são os melhores seguidores de regras.

E quando as regras substituem o gosto, a criatividade morre por mil avaliações de marcas.

A Estética da Segurança

Você pode identificar a estética da segurança em todos os lugares:

  • Sites que parecem clones de seus concorrentes.
  • Startups usando a mesma paleta sem serifa, pastel e botões arredondados.
  • Marcas que pregam a individualidade enquanto contratam agências para imitar todas as outras.

O design “seguro” tornou-se o padrão. Ninguém é demitido por ser consistente. Mas ninguém é notado por isso também.

Essa aversão ao risco não se limita aos recursos visuais. Tom, cópia e até mesmo comportamento social – tudo filtrado pela pergunta, “O Departamento Jurídico aprovaria isso?” ou “O marketing aprovaria?”

A ironia é que, embora todos busquem a segurança, as marcas que realmente ganhar atenção são aqueles corajosos o suficiente para parecer um pouco estranho.

Veja Wendy’s no Twitter ou a marca de Liquid Death. Eles não se importam se cada postagem está perfeitamente alinhada com o manual da marca – eles se importam se está vivo.

Autenticidade não é um sistema de design

Muitas vezes confundimos branding com autenticidade. Mas estar “na marca” não é o mesmo que estar autêntico.

Autenticidade tem a ver com honestidade, tom e bagunça humana. Uma paleta de cores perfeita ou um logotipo meticulosamente kerned não podem replicar isso.

As marcas mais queridas – Apple, Nike, Patagonia – não têm sucesso porque nunca quebram os seus sistemas. Eles têm sucesso porque evoluem intencionalmente. Suas linguagens visuais e verbais se adaptam à cultura. Eles têm um ponto de vista, não um PDF.

Quando sua marca parece muito polida, as pessoas percebem isso. Parece curado, cauteloso e corporativo. Os humanos não se conectam com isso – eles se conectam com a imperfeição, o humor e as ocasionais escolhas estranhas.

Branding como cobertor de conforto

Aqui está a verdade incômoda: “na marca” geralmente significa Tenho medo de tentar algo novo.

É uma forma de evitar o julgamento, de dizer: “Não me culpe – eu segui as regras”. Nas grandes organizações, essa é uma estratégia de sobrevivência.

Mas o design nascido do medo da culpa nunca criará prazer. Produz mesmice disfarçada de profissionalismo.

Usamos a marca como um cobertor confortável porque o caos é assustador. Mas a criatividade vive no caos. Está nos experimentos confusos que não cabem na grade.

Se a maior preocupação de design da sua equipe é “permanecer na marca”, você não está liderando um departamento criativo – você está gerenciando uma franquia.

Como “On Brand” sufoca a experimentação

Todo designer tem uma história de uma boa ideia morrendo em nome da “consistência da marca”. Talvez tenha sido um layout não convencional, uma nova voz para a cópia ou uma metáfora visual que rompeu com o estilo estabelecido.

Alguém o matou – não porque fosse ruim, mas porque era diferente.

E quanto mais isso acontece, menos as pessoas se preocupam em experimentar. Com o tempo, equipes inteiras são domesticadas. Eles aprendem a se autocensurar antes mesmo que alguém faça a pergunta.

É assim que você acaba com campanhas de marketing que parecem ter sido todas feitas pela mesma IA.

Branding não deveria ser uma camisa de força. Supõe-se que seja uma bússola – algo que dá direção, não dita cada passo.

Quando a bússola se torna o destino, você está apenas andando em círculos.

Quando a consistência se torna identidade

Muitas empresas confundem consistência visual com identidade cultural. Eles acham que um visual unificado é igual a uma marca unificada.

Mas a verdadeira identidade não tem a ver com mesmice – tem a ver com coerência. Você pode ser coerente e imprevisível. Pense num músico de jazz improvisando: o tom permanece reconhecível, mas cada apresentação está viva.

As melhores marcas funcionam assim. Eles mexem em seu DNA.

A linguagem de design do Spotify evoluiu de gradientes neon para composições mais editoriais. A Nike pode passar do minimalismo ao maximalismo sem se perder. Até a Apple – o sumo sacerdote da consistência – reinventa continuamente o seu tom, desde lançamentos de produtos minimalistas até campanhas profundamente emocionais.

Eles não estão acorrentados às suas diretrizes; eles os usam como instrumentos.

O custo do excesso de marca

A obsessão em permanecer na marca não apenas mata a criatividade – ela desperdiça oportunidades.

Cada ideia “fora da marca” rejeitada é uma chance perdida de aprender algo novo sobre o seu público.

A experimentação é como as marcas aumentam a empatia. Quando você tenta algo diferente, você solicita feedback real. Você aprende o que ressoa além de suas próprias suposições.

Mas em culturas com excesso de marca, esse ciclo é quebrado. Tudo é pré-aprovado, pré-testado e pré-higienizado. A criatividade se torna uma performance, não um processo.

O resultado: mediocridade polida.

Das marcas às conversas

Estamos entrando em um mundo onde branding tem menos a ver com identidade e mais com interação.

As pessoas não veem apenas o seu logotipo – elas conversam com o seu chatbot, seguem o seu TikTok, leem seus e-mails de suporte. A marca moderna não é uma imagem fixa; é um processo contínuo conversa.

E as conversas são confusas. Eles evoluem. Eles se contradizem.

Se a voz da sua marca não consegue lidar com isso – se é tão rígida que quebra sempre que a cultura muda – ela não é uma marca. É uma fantasia.

O público moderno não quer perfeição. Eles querem presença.

Projetando para Mudança

Então, qual é a alternativa?

Pare de adorar a consistência e comece a projetar para ressonância.

Perguntar:

  • Isso parece verdadeiro para quem somos agora mesmo?
  • Conecta-se emocionalmente, mesmo que quebre as regras?
  • Isso faz a história avançar?

Um sistema de marca saudável não é uma prisão – é um playground. Você precisa de estrutura suficiente para permanecer reconhecível e de liberdade suficiente para permanecer humano.

Dê permissão à sua equipe para experimentar. Trate “fora da marca” como uma oportunidade, não um erro.

Se você quer inovação, você tem que arriscar a inconsistência.

Quando quebrar sua marca

Quebrar sua marca não significa jogar fora sua identidade – significa mantê-la viva.

Veja quando fazer isso deliberadamente:

  1. Quando seu público muda. A cultura evolui mais rápido que os manuais das marcas.
  2. Quando o meio muda. Um TikTok não é um outdoor. Pare de tentar forçá-los a se parecerem.
  3. Quando sua mensagem exige emoção. Às vezes, o tom certo quebra o sistema – e tudo bem.
  4. Quando a repetição gera invisibilidade. Se suas campanhas estão se misturando ao barulho, você está muito “na marca”.

Quebrar as regras da marca é a forma como surgem novas estéticas, vozes e ideias. É assim que o design avança.

A criatividade precisa de permissão para se comportar mal

Cada momento memorável da marca começou como algo que provavelmente não estava “na marca”.

A campanha “Share a Coke” quebrou as regras de tipografia da Coca-Cola. A Old Spice reinventou seu público com humor absurdo. O Airbnb passou da fotografia para a ilustração abstrata.

Nenhuma dessas ideias surgiu da pergunta “Isso é da marca?” – eles vieram perguntando “Alguém sentir alguma coisa disso?”

Essa é a melhor pergunta.

Porque o sentimento – e não a consistência – é o que constrói a lealdade.

Pare de policiar, comece a provocar

Os designers não precisam de mais listas de verificação de conformidade da marca; eles precisam confiança criativa.

Se os instintos de um designer forem bons, eles manterão intacta a alma da marca, mesmo quando a ampliarem. O papel de um diretor criativo não é impor a mesmice – é proteger o significado.

Perguntar:

  • Isso nos torna mais interessantes?
  • Isso soa humano?
  • Isso nos leva a algum lugar novo?

Se a resposta for sim, quem se importa se está perfeitamente de acordo com a marca?

O paradoxo da marca moderna

Quanto mais as marcas tentam parecer humanas, menos humanas elas se tornam.

Nós falamos sobre autenticidademas filtre-o através de comitês. Nós ansiamos originalidademas compare cada ideia com os concorrentes. Nós celebramos criatividademas sufoque-o com decks, fichas e kits de ferramentas.

Estar “na marca” já significou alinhamento. Agora significa obediência.

Mas design não tem a ver com obediência – trata-se de expressão.

O caminho a seguir

A próxima geração de designers não precisa de mais diretrizes – eles precisam de mais permissão.

Permissão para testar, jogar, quebrar, reconstruir. Permissão para estar um pouco desligado.

As marcas que abraçam essa energia parecerão vibrantes, reais e culturalmente vivas. O resto desaparecerá na mesmice que eles protegeram com tanto cuidado.

Então, da próxima vez que alguém perguntar: “Isso é da marca?” – tente responder: “Talvez ainda não”.

É aí que começa a verdadeira criatividade.

Louise é redatora da WebDesignerDepot. Ela mora no Colorado, é mãe de dois cachorros e, quando não está escrevendo, gosta de fazer caminhadas e fazer voluntariado.

Written by

Categorias